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A Origem do Café e suas Teorias

22 de mai. de 2021
3 min de leitura

Atualizado: 9 de set. de 2021

A origem do café e o seu descobrimento, ainda hoje, são extremamente incertos.


Com evidências pouco concretas, esse assunto ainda gera muitas controvérsias entre historiadores e botânicos.


Todavia, lendas locais são colocadas ao lado da ciência para nos aproximar da origem do café e nos revelar o relacionamento milenar dessa fruta com diferentes povos e diferentes culturas.


De acordo com historiadores e botânicos, podemos atrelar o berço do café à região de Kaffa e Enérea, referente ao antigo Império Etíope.



“O habitat natural do café não é a Arábia, como outrora se creu, e sim a zona entre a Abyssinia e os grandes lagos centrais africanos, especialmente o sul do império dos Negus, nas províncias montanhosas de Kaffa e Enérea”. - Dr. J. Padberg Drenkpol. (TAUNAY, 1939, p. 29).



"Sua verdadeira pátria, porém, diz Roth, deve ficar mais para Oeste e Sul, lá nas províncias de Kaffa e Enérea, onde, conforme lhe disseram, o cafeeiro brota com exuberância natural nas matas, vergando os ramos com o peso dum fruto da mais apurada qualidade, comprando-se uma carga de burro pela vigésima parte dum táler. Lá é que toda a gente toma café e o serve ao forasteiro; é, enfim, o centro de sua distribuição nativa, seu ponto de partida para outras paragens”. - Major Harris em expedição à Etiópia em 1844. (TAUNAY, 1939, p. 32).



Além dos registros de que o cafeeiro crescia naturalmente ao sudoeste da Etiópia, na região de Kaffa e Enérea, diferentes lendas locais também sustentam tais alegações.


Sem dúvida, a mais famosa, é a lenda do pastor etíope, Kaldi, a qual foi transmitida pelos Oromos (nativos da Etiópia) e nos conta a história de um pastor, que por meio de suas cabras, teria descoberto o café no final do século IX.


A seguir, a lenda contada pelos Oromos:


“Um dia, Kalid atentou-se ao comportamento estranho de suas cabras que andavam energéticas demais, pulando e balindo alto. Ele observou que estas, andavam comendo os frutos vermelhos de um arbusto verde próximo ao seu pasto. Ele próprio quis experimentar alguns dos frutos e logo sentiu uma nobre sensação de deleite”.


Sabemos que, como uma lenda, a história pode ser contada de inumeráveis maneiras. Assim foi a lenda do pastor etíope, que ganhou o nome Kaldi, em sua adaptação francesa do conto de Naironi.



Certo pastor de camelos ou, como dizem outros, de cabras, conforme a comum tradição dos Orientais, queixava-se aos monges de um mosteiro da região de Ayamman, na Arábia Feliz, que os seus rebanhos ficavam acordados mais de uma vez na semana, e mesmo como que saltavam durante a noite inteira, contra o que costumavam. O prior do mosteiro, levado da curiosidade, pensando que isto proviesse da pastagem e examinando atentamente, junto com um confrade, o lugar onde as cabras pastavam, na noite em que se agitavam, nele descobriu uns arbúsculos, de cujos frutos ou antes, bagas, se nutriam. Quis experimentar ele próprio as virtudes desse fruto e então, tendo-os fervido em água e logo lhes ingerido a poção, experimentou que provocava a insônia durante a noite. (NAIRONI, 1671. Texto traduzido por Taunay, 1945, p. 68)



A história narrada pelo autor libanês, Fausto Naironi e presente no seu livro “Discurso sobre a salubérrima bebida chamada Cahue ou Café”, publicado em 1671, é a primeira vez que testemunhamos a lenda na forma escrita.


Como podemos observar, há uma série de divergências entre a lenda transmitida pelos Oromos e a contada por Naironi. Porém, assim se propagam as lendas, com incontáveis versões e adaptações, afinal, teorias são conhecimentos especulativos de caráter hipotético, por isso, cabe a nós, posicioná-las ao lado do conhecimento atento e profundo, e formular nossas próprias conclusões.





O momento em que o café passa a ser consumido como uma bebida, ainda é uma questão incerta, porém muitas lendas locais relatam a sua cultura alimentar, mais especificamente, entre os nômades etíopes, também conhecidos como Oromos. Estes combinavam as cerejas do cafeeiro com gordura animal, tal como uma barra energética, as quais eram consumidas durante suas longas jornadas.


O uso do café como alimento entre os povos nativos da Etiópia, é reconhecido como uma das primeiras formas de consumo dessa fruta.


No entanto, foi a bebida a partir da sua infusão que ficou popular e rapidamente se espalhou para os países vizinhos, que não demoraram a fazer dessa, a mais nova cultura.




Referências bibliográficas


DURESSA, E. L. Discourse Analysis of Origin and Distribution of Coffee Arabica. Etiópia: American Research Journal of History and Culture, 2018.


DURESSA, E. L. The Socio-Cultural Aspects of Coffee Production in Southwestern Ethiopia: An Overview. Etiópia: Journal of Culture, Society and Development, 2018.


NAIRONI, F. Discurso sobre a salubérrima bebida chamada Cahue ou Café. Roma, 1671.


SMITH, R. F. A history of coffee. In Clifford and Willson (eds.), Coffee: Botany, Chemistry and Production of Beans and Beverage. Inglaterra: Croom Helm Ltd, 1985.


TAUNAY, A. E. História do café no Brasil. Rio de Janeiro: Departamento Nacional do Café, 1939.


TEKETAY, D. History, botany and ecological requirements of coffee. Botsuana, 1999.


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